De Felipe Gruetzmacher
O artigo “Ecopedagogia latino-americana: políticas públicas, práxis libertadora e integração ecológica” da autora Ariadne Magalhães Carneiro traz o conceito de ecopedagogia. Esse termo é melhor sintetizada nos tópicos abaixo:
● A ecopedagogia articula sustentabilidade e cuidado: em palavras mais simples, ela promove a solidariedade, responsabilidade partilhada pela vida e convivência harmoniosa e interdependência entre ecossistemas;
● A ecopedagogia vai além da educação ambiental tradicional: foca na emancipação, integra políticas públicas com práticas educativas, diálogo entre saberes científicos e populares (experiência local, ancestral e comunitária).
Em virtude disso, a ecopedagogia questiona a hierarquia entre entre ciência e tradição, pois constrói vínculos entre o mundo social e natural. Essa nova forma de viver se contrapõe ao modelo econômico unicamente centrado no lucro e na mercantilização da educação.
Quais os paralelos entre a fé cristã e a ecopedagogia?
Na primeira parte deste texto, foi apresentado o conceito de ecopedagogia com base na literatura científica. Agora, o artigo vai apresentar como a ecopedagogia se articula com a palavra bíblica.
Cita-se como exemplo o versículo “quem cuida da sua figueira, comerá de seus frutos.” de Provérbios 27:18. De maneira bem específica e sutil, essas santas palavras nos convidam a nos fartar com a abundância do fruto espiritual. No entanto, há uma possível outra interpretação que combina fé cristã com princípios da ecopedagogia. Afinal, quem cultiva a figueira (vida) e estabelece uma relação de harmonia, pode usufruir dos seus frutos. Eis a sustentabilidade em ação: o cultivo cuidadoso e ético é indispensável para conservar a interdependência harmoniosa entre a humanidade e os bens naturais.
Essa possível releitura ultrapassa a fé morta, a educação ambiental tradicional e sustenta ações ecológicas com palavras bíblicas.