De Felipe Gruetzmacher
Blumenau – SC, Maio de 2026
Os ensinamentos do livro de Gênesis sobre o trabalho humano podem provocar reflexões inéditas. Até porque isso dialoga diretamente com o posicionamento ecológico da Igreja.
A passagem do Salmo 128:2: “Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem”, por exemplo, merece novas interpretações para que a palavra de Deus dialogue com o nosso cotidiano. O resultado do trabalho aqui apontado não é só lucro. É bem mais do que isso. É enriquecimento psicológico.
Afinal, uma vida sem nenhum trabalho, desafio ou possibilidade de realização traz:
– Tédio;
– Apatia;
– Vazio existencial.
Tal conflito existencial pode provocar severas consequências morais e psicológicas. Assim, esse tema bíblico pode ser aprofundado com aportes científicos.
A necessidade de encontrar sentido para a vida se conecta firmemente com a logoterapia de Viktor Frankl. Ele, renomado psiquiatra, sobrevivente de um campo de concentração, dedicou-se a fundamentar a tese de que todo o ser humano pode encontrar um sentido na vida quando supera as adversidades. A obra Em busca de um Sentido detalha mais sobre a logoterapia.
Dessa forma, o trabalho pode ser um dos componentes do sentido para a vida. Já o psicólogo húngaro-americano Mihaly Csikszentmihalyi, no livro Flow – Guia prático: Como encontrar o foco ideal no trabalho e na vida, define o conceito de flow. Ele é um estado mental em que a pessoa experimenta uma incrível realização quando executa uma atividade desafiante e estimulante. Nessas circunstâncias, o tempo parece voar, a autocrítica desaparece e a criatividade flui.
O trabalho oferece amplas condições para a pessoa desenvolver um ótimo estado de flow.
Os conceitos “psicologia, ecologia, trabalho e fé” formam a base para explorar teologicamente a questão do tédio humano e de uma economia devoradora de bens naturais.
Afinal, a economia é um subsistema da ecologia. Na medida em que o trabalho humano é executado, o crescimento econômico é impulsionado, assim como o esgotamento dos bens naturais.
Então, a conclusão abaixo provoca mais indagações do que respostas prontas:
- Como equilibrar a vida fora do trabalho com o próprio trabalho?
- Como a economia pode gerar empregos desafiantes que estimulem o melhor do ser humano?
- Como o trabalho humano pode significar otimização no uso dos bens naturais para garantir o bem-estar ambiental?
- Qual é o papel da Igreja em anunciar uma economia justa, sadia e ecologicamente eficiente capaz de gerar bons empregos?
O grupo Galo Verde pode e deve abraçar a questão do flow e do sentido da vida no trabalho para repensar as conexões entre economia e ecologia. A teologia que anuncia a felicidade no labor deve ser uma ecoteologia cidadã ativa e crítica.
Finalizo por aqui as minhas interrogações provocativas. Quem quiser se aprofundar ainda mais na exploração do problema do tédio e do conflito existencial, a obra “Condomínio 25” dialoga diretamente com a questão da felicidade no trabalho e fora dele.
