De Clóvis Lindner (in memoriam), Evandro Jair Meurer e Mirian Regina Patzlaff
O Programa Ambiental Galo Verde (GV) inspira-se no seu homônimo alemão, um programa de certificação ambiental para as igrejas na Alemanha, denominado de Der Grüne Hahn, na região de Hannover e Grüner Gockel, na região da Baviera. Ambos os empreendimentos atuam há mais de duas décadas na Alemanha na preparação de comunidades cristãs para a redução da pegada ambiental e na certificação ambiental. As duas organizações são base de sustentação para o Galo Verde brasileiro.
Por que Galo Verde? O galo se inspira no animal que está representado nas torres de inúmeras igrejas cristãs, desde o século IX, como símbolo de vigília. A cor verde faz referência à causa ambiental e à vigília da igreja pela preservação da Criação de Deus. Com o Galo Verde, as igrejas não querem somente dizer aos outros como fazer, mas quer dar exemplos de preservação que venham dela própria.
A criação de um Grupo de Trabalho do Galo Verde no Brasil aconteceu em reunião no dia 22 de outubro de 2012, na sede do Sínodo Vale do Itajaí, em Blumenau/SC. Participaram da reunião de fundação o pastor Renato Luiz Becker (IECLB), o padre Raul Kestring (ICAR), o pastor Dr. Emilio Voigt (IECLB), o biólogo e ambientalista Nélcio Lindner (FURB), o pastor sinodal Breno Carlos Willrich (IECLB) e o pastor Clovis Horst Lindner (IECLB). A reunião contou, ainda, com a presença do pastor Hans Zeller e da pastora Reinhild Schneider, da Mission-Eine Welt, da Alemanha. A reunião foi convocada pelo pastor Clovis Horst Lindner, que lançou a ideia do Galo Verde a partir do tema do ano da IECLB de 2011, “Paz na Criação de Deus”, e da Campanha da Fraternidade de 2011, também com temática ambiental. Assim, o Galo Verde é um projeto ecumênico desde sua implantação.
Na 17ª assembleia sinodal do Sínodo Vale do Itajaí, em 6 de abril de 2013, o Programa Ambiental Galo Verde (GV) foi oficializado como um Grupo de Trabalho do sínodo, tenho o pastor Clovis Horst Lindner como coordenador.
Desde então, aconteceram muitas palestras em grupos de OASE, de LELUT e da Juventude Evangélica. As palestras eram motivacionais e buscavam espalhar a ideia do GV no Sínodo. Algumas comunidades começaram a abraçar a ideia, mas não se firmaram. No ano de 2013 o ambientalista Johannes Gerlach juntou-se ao grupo e tornou-se coordenador em 2017.
Em 2014, o Galo Verde foi tema do encontro de parceria entre o Sínodo Vale do Itajaí e a Igreja Luterana do Norte da Alemanha, em Husum, com oito participantes, onde houve um encontro com o coordenador geral do Galo Verde (Der Grüne Hahn) de Hannover. Também o pastor coordenador do Grüner Gockel da Baviera, pastor Wolfgang Schuerger, que ministrou diversas palestras em seminários sobre como funciona o Galo Verde na Alemanha.
A instituição do Centro de Eventos Rodeio 12 implantou o GV em 2015, com seminários sobre economia de água e energia, com separação de resíduos, redução do uso de agrotóxicos, reflorestamento da área e outras medidas. A instituição é a única da IECLB que tem uma logomarca do Galo Verde na entrada do prédio.
No período também aconteceram ações importantes em encontros, acampamentos e congressos da igreja. O Acampamento de Carnaval dos jovens do Sínodo Vale do Itajaí tem abraçado o GV em seus encontros. Dois Congressos Nacionais de JE também tematizaram o Galo Verde: em Timbó/SC (2016) foi feita compensação de CO2 com a contribuição dos 1.300 jovens em dinheiro, revertido em mudas de reflorestamento por um programa apoiado pela Petrobrás junto ao povo indígena Xokleng, em Ibirama/SC. O congresso também fez separação de seus resíduos e encaminhou recicláveis. Johannes e Clovis participaram do Congrenaje em Teutônia, com um estande apresentando o GV. O grupo também atuou em dois Concílios da Igreja, realizando a compensação de CO2 de todos os participantes com ofertas em dinheiro revertidas em mudas de árvores.
Em 2019 o GV empenhou-se em elaborar um Manual para a Gestão Ambiental de Eventos Religiosos, que pode ser baixado no seu site (www.galoverde.org.br) e ajudar comunidades e instituições da igreja que queiram integrar o cuidado ambiental em seus eventos e programações, com dicas de procedimento.
Com a pandemia, as muitas palestras e participações não puderam mais acontecer presencialmente e o GV organizou palestras on-line sobre temas ligados à preservação ambiental. Mais recentemente se empenhou na preservação da área total do Parque Nacional de São Joaquim, ajudando para evitar a aprovação de PEC que reduza o parque em 20 por cento.
Em abril de 2024, o GV recomeçou os seus seminários anuais em Itapema – SC. Em maio de 2025, o GV se reuniu na FLT em São Bento do Sul e também participou do Congrenaje 2025 em Igrejinha RS e das atividades da COP30 em Belém do Pará.
O GV nasceu então em 22 de outubro de 2012, 9 dias antes da celebração dos 495 anos da Reforma.
Em 22 de outubro de 2026 celebraremos os 14 anos deste marco e o lema da igreja em 2026 é “Cuidar da Criação de Deus”, conforme pode ser consultado no site da IECLB: Tema do Ano 2026 – Cuidar da Criação de Deus.